sábado, 10 de abril de 2010

Há feridas amorosas que só o tempo pode curar...

No começo tudo são flores. Sentiamo-nos enfim cheios de vida, graças a impaciencia dos reencontros, a sensação de estar preenchido pelo outro, de carrega-lo dia e noite em nosso coração, de ter pressa em ouvi-lo, de abraça-lo, de misturar nosso corpo ao seu. O amor é também cheiros, cores, sensações e a atençaõ que se mutiplicam. Tudo é belo, tudo nos toca. Nada mais nos assusta. Trata-se de uma experiência quase mística que sacraliza as pessoas, o ar, as arvores e até a nós mesmo. Em seguida a felicidade, a esperança, as sensações e as cores saem de cena bruscamente. Nada mais daquilo que projetamos e sonhamos se concretizará. É mais do que uma ferida, é uma amputação, é uma perda de sentido, uma espécie de morte. Não há nada mais a dizer. Nenhuma receita, nenhum conselho, nenhum cuidado são possíveis. Cada um se vira como pode com sua dor. Buscamos uma posição confortável para a alma, para sofrer menos. Ou mais, dependendo do momento. Dizem que só o tempo pode curar... Alguns se embebedam, outros se trancam em casa, Alguns se afstam, outros bisbilhoteiam. Alguns odeiam, outros ainda adoram. "Mas não bastar odiar é preciso não amar mais", alguém escreveu sabiamente. É necessário tempo, lágrimas, sofrimento, para crescer e reconstruir sem o outro. A única coisa que podemos desejar - e aconselhar a nós mesmo - é não acrescentar mais infelicidade á infelicidade, ao nos culpar por não ter feito isso ou aquilo. Cada história de amor nos prepara para o melhor e para o pior. Mas nos prepara também para o amor seguinte, que forçosamente, será mais belo e benéfico.

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